Arquivo mensal: maio 2012

Astronauta: teste com realidade aumentada+processing+ arduin

Ainda está em caráter de teste, mas já aponta para uma interação física das placas em R.A. com os atuadores controlados pelo arduino.

Realidade Mágica Aumentada: “Latifus”

Ao converger magia, poiesis e tecnologia, temos um hibrido terrível um acidente do real, capaz de provocar transformações inexperadas nessa realidade (interna e externa). Isso é magia para o novo AEon, o resto é educação artística para superticiosos. Charlatanismo Hacker ou Tecnomagia, a invocação de uma inteligência afrodisíaca transformando a forma de se relacionar com a tecnologia empregada e no proponente da ação.

TECNOMAGIA I: Intervenção no Fluxo da Realidade


Tempos conflitantes, momento de tomada de posição. Com a crise econômica mundial, aumentaram as medidas governamentais de exploração ambiental e manipulação civil. As trocas de dados pela internet sofrem duros ataques em nome de interesses protecionistas, distorcendo qualquer inteligência a respeito dos direitos autorais e do que é ou não “pirataria”. Os mesmos interesses que desejam a implementação do A.C.T.A. e do S.O.P.A. (duas medidas de controle de dados circulando pela internet), ironicamente, são os mesmos que influem na desestruturação sócio-econômica da enfraquecida Grécia, na implementação de represas na bacia amazônica e o despejo de moradores de áreas de projeto urbanístico para os jogos olimpicos e a Copa do Mundo. O que tem haver esse contexto de pior da globalização com o conceito de “tecnomagia”?Manifestação contra o controle na internet: pirataria contra corsários globalizados
Ao pensarmos os “tecnomagos” como agentes “sensores/atuadores” da realidade social e global, o papel desse personagem é atemporal e sem fronteiras. Deslocando a questão religiosa para segundo plano, o papel dos magos, xamãs, alquimistas e outros vultos farsescos na história da humanidade, este caminhava entre o mensageiro do mundo invisível ou plano mágico/místico com a de manipulador da realidade cotidiana. O papel desse personagem não estava agregado, historicamente a questão econômica, salvo a participação nos ritos de prosperidade da colheita, fertilidade, caça e guerra. A questão é que o mago e todos os seus alteronomios não estavam responsáveis por produzir nada além da comunicação com o mundo sobrenatural. O charlatanismo como anacrônico sinônimo de farsa ideológica que gera benefícios econômicos ao agente charlatão, mas por outras dinâmicas sociais que não aquelas do mago. Talvez seja por isso que em muitas comunidades tribais, o xamã é escolhido e não autoproclamado. O mito dos alquimistas também gerava a cobiça de aventureiros que sonhavam com o segredo da transformação do metal vil em metal nobre, questão recorrente nas obras alquímicas. O ato mágico está além da instrumentalidade político-financeira, mesmo que este interfira no mecanismo de legitimação de tal instrumental. Não é no plano econômico que encontramos o ambiente de operação mais fértil para a (tecno)magia, mas ela pode interferir no andamento das transações com sua operação de ressignificação poético-mágica quando se menos espera.
O mago/xamã/alquimista/curandeiro/etc. vive em sociedade, mas vive no “entre sociedades”. Ele lida com os códigos do mundo civilizado, legitimado, validado como tal, mas também é atuante em um mundo marginal, proibido, deixado fora dos interesses sóciais, políticos e econômicos da maioria constituída de seu clã, tribo, vilarejo, cidade, país. É presente no mundo das ervas venenosas e curativas, dos animais peçonhentos, dos demais banidos pelo sistema, das grutas, dos pântanos e das cachoeiras, enfim, da margem. Essa dinâmica entre um conhecimento de contracultura e a manutenção da saúde e do empoderamento dos indivíduos em sociedade, uma dupla atribuição capaz de fazer deste complexo personagem uma questão de difícil apreensão pelos mecanismos de controle. A questão está além da rivalidade entre credo oficial e práticas proibitvas. Por outro lado, podemos concluir que uma sociedade cuja política de controle social e econômica apele para a marginalização das práticas dessa natureza, fortalecendo assim a imagem de agente de resistência e poder rivalizador do status quo, reequilibrando as forças atuantes na realidade constituida, onde o “Humano” vê-se confrontado pelo agente da iconoclastia maior que ele, podendo ser a representação da “Natureza” na figura desse “mago/charlatão”.
Se sobrepomos aquelas figuras vultuosas do passado, eliminando o conceito institucionalizado de ideologias operantes, com as ações de agentes ativistas dos nossos dias, encontraremos uma revisitação desses mitos que passa antes pela imagem da guerrilha. Essa imagem foi recorrente no mundo colonizado, manifestando-se no levante de lideres guerreiros com poderes sobrenaturais no Haití (dentre eles o lider da independência haitiana, Toussaint L’Ouverture), nos temidos Thugs da Índia, na força imortal que tem Zumbí dos Palmares para todo quilombola que o invoca, na pajelança e a caboclada em sua história de resitência aos portugueses e sua cooptação por esse último.

TECNOMAGIA II: Intervenção no Fluxo da Realidade

A persona do mago possui também uma relação estreita com a convivência com os “tabus” preestabelecidos pelas gerações anteriores, podendo ele posicionar-se tanto passivo à elas quanto se colocar contrário ou simplesmente ignorar tais códigos vigentes. Identificamos essa relação quanto a política dos tabus sociais principalmente ao se tratar das questões de natureza e identidade sexual, conforme sua dinâmica na vida cotidiana da sociedade da qual faz parte. Um exemplo disso pode ser as normatizações de práticas xamânico-taoistas na china pré revolução cultural maoista, onde os seguidores dessa crença eram conhecidos por praticarem métodos de controle do orgasmo e a vacuidade similares aos tantrica da mão esquerda (que ritualizam o sexo como “maithuna”), a despeito da moral confucionista e sua codificação dos papeis sexuais masculino e feminino diante do dever junto a sociedade e ao imperador. O corpo como meio de excitação e privação fora de um conceito de natureza é próprio de muitos desses agentes místicos, que viam em tais práticas os meios adequados para grandes alterações de consciência e transformações na realidade. Não é diferente, apenas outro contexto, a questão das identidades sexuais, relacionais ou a cultura “Queer”, uma forte manifestação das transformações dos conceitos de gênero e sexualidade através de uma roupagem contemporânea, mas ainda sim, uma manifestação de enfrentamento frente a séculos de um peso de hegemonia heterossexual reguladora.
O fato é que o (tecno)mago, assim como o ativista, lida com a arma simbólica como enfrentamento junto a uma sociedade normativa, desrespeitosa e massacrante. Seu rito contextador ressignifica os antigos ritos de levante tribal para a guerra, transformando a realidade contrária em um campo de dinâmicas operantes, de longa duração e de conscientização geracional. As questões de embates já não são mais aquelas de expulsão de espíritos malígnos, curas milagorsas e vitórias tribais, mas o anticapitalismo, anticorrupção, democracia real, energia limpa e consciência ecológica são algumas dessas lutas. As tribos globais não se comunicam telepaticamente, mas em tempo real, na velocidade das trocas de dados, ativando questões e reflexões em velocidades altíssimas e gerando ações diretas cada vez mais pungentes e de estratégias mistas. Para se ter uma ideia, basta comparar a origem recente do uso dos flashmobs (nos movimentos antiglobalizantes nos EUA, na Itália, México e Canadá) e as grandes mobilizações globais atuais, a exemplo da (cáustica) Primavera Árabe e o movimento dos Occupy World e os ativismos antinucleares em Fukushima.
O problema envolvendo as questões atuais globais e locais, a questão das identidades sexuais, religiosas e étnicas, a questão da liberdade e da responsabilidade dos indivíduos e dos grupos frente a manutenção de uma consciência ecológica e um viver sustentável no Mundo, tudo isso implica em uma questão tecnomágica, seja qual for a estratégia de ativação e resignificação da realidade , seja qual for seus códigos.